Códigos
Secreto. Interno. Escondido. São seus pensamentos que vagam correndo no infinito de sua mente, enquanto ele vive, enquanto ele existe. Ele senta-se e deixa que eles sejam, que façam, e por muito tempo deixou que o controlassem. Mas sua ânsia por liberdade permitiu-lhe deixar que fugissem da mente para fora, tornando-se parte do mundo, parte do todo. E agora ele deixa os outros deles estarem. Estarem no que ele faz, no que em breve terminará. Não se sabe o quanto, não se sabe como, mas ele faz, ah, sim ele faz. E na verdade sempre fez, e acho que os outros também o fizeram. Se ele permitia que seus pensamentos escorressem como gotas sangue sobre seus dedos, aquilo que faria o que fez, então ele tentava permitir que a liberdade o encontrasse, sem que outros o encontrassem também. Ele pensa que é comum deixar que o rio corra com suas caudalosas águas, mesmo que às vezes as barragens sejam mais fortes. Não importa a força de tais barreiras, pois aquilo que é livre respira a liberdade e desta não pode se afastar. Chega o tempo certo, rompem-se as barragens, correm as águas e retiram toda sombra de variação, todo espírito de confusão. Molhadas pelas águas, as árvores do ser são curadas, têm sua seiva restaurada, e começa-se a ver os frutos surgindo, em uma situação acima do natural. Muito além do normal.
Não há nada planejado, não há roteiros prontos, apenas uma mente que permite o deslizar das palavras, da pena ao papel. E enquanto ele consegue, vai deixando que flua sem parar para pensar nas maneiras de juntar, no melhor jeito de combinar. Se houver ritmo, houve, se houver inércia, houve também, e com a vida própria que tem tudo aquilo que já é si por si, os sentidos se abrem, e por trás deles outros se escondem, e por trás destes outros também. Não há necessidade de limão ser limão, e por que terra tem que ser chão? A poesia guarda sentidos que ninguém é capaz de compreender. Palavras juntas escondem gemidos que ninguém é capaz de escutar, e por trás de aquilo que se escreve, se diz, se expressa, há clamores de almas aflitas, regozijo de almas agradecidas, há a realidade do que é ser humano. Sofrer, sentir, amar, aprender, sorrir. E em cada uma dessas coisas, estão lá nossos códigos, encriptados por uma ciência que ciência alguma é capaz de desmembrar, e quem sabe o encriptador nunca tenha um sequer que entenda o sentido em seus mistérios lá codificados.
O Que Andam Falando