Dor | Mini-part.1
Doente. Doendo. Ele não pôde dormir. Sua dor lancinante o perturbava, seus remédios recém-comprados não o ajudavam. Ele não conseguia pensar, ele não conseguia clamar.O silêncio era a melhor forma de tentar fingir que aquilo não estava acontecendo. Quem sabe passava. Quem sabe. Não passou.Escuro. Sim, tudo escuro, mas não tudo tudo, algumas pequeninas luzes apareciam. Uma mesmo pequena, doía em seus olhos. Mais dor, não. Escuro é melhor. Pano por cima,desespero por dentro. Dor, vá embora, dor, não te aguento, dor, dor, me deixe dor, por favor. Mas ela não o deixou tão cedo. O remédio começou a agir um pouco, a dor se amenizou, mas ele não percebeu. Finalmente pôde descansar.
Dor. Pouca, mas ameaçadora. Comeu, comeu, doeu. Não, não, não volte, dor. Voltou. Mais remédios, mais dor, tontura, tudo girando. Dentre as dores menos graves, esta está entre as três piores. Não sabia se gritava, se chorava, se batia a cabeça na parede ou se entupia-se de remédios. Quarta opção, por favor.
Andou com a dor. Passou o dia com a dor. Por momentos, quase chorou. Suas mãos tremeram, seu corpo enfraqueceu. A dor quando quer é capaz de derrubar o mais forte do fracos guerreiros. Ele não era o mais forte, talvez o mais fraco de todos. Sobreviveu, como é de costume dos fracos. Serve para que sofram mais e se fortaleçam.
O Que Andam Falando