Às vezes penso em política. Lembro dos escândalos do Senado, da omissão dos grandes líderes, da falsidade daqueles que prometem tudo e não cumprem nada. E rio ao pensar naqueles que não prometem nada e cumprem tudo o que prometeram.
Às vezes penso em escrever sobre política. Lembro que isso não mudará nada, que a injustiça continuará sendo feita e sendo chamada justa. E me alegro ao pensar que não cabe aos textos mudar a realidade. Os textos mudarão as pessoas. As pessoas mudarão sua realidade. E se elas não quiserem, os textos continuarão sendo somente textos.
Mas às vezes penso que se eu não me importar com a política, ela não terá a mínima chance de mudar. E penso que, se eu não escrever sobre política, talvez alguém não terá a mínima chance de pensar. E se alguém não pensar, vai se acomodar, vai dizer que “isso não é comigo” e que “o meu voto não tem importância”. Então, mais outros pensarão assim, e depois mais outros, e depois, mais todos.
Às vezes penso em escrever sobre as férias, mas me passa pela cabeça que isso seria banal!
Lembro dos escândalos, das mentiras, da injustiça.
“Pensando bem, talvez seja melhor eu escrever sobre as férias mesmo!”

